Cisco Produções Manuais
Quando um caderno vira ferramenta de pertencimento étnico

Um caderno pode ser um objeto banal do dia a dia. Ou pode ser uma tela preenchida com símbolos de ancestralidade, um objeto que promove autoconhecimento e inicia conversas sobre pertencimento étnico toda vez que alguém olha e pergunta "de onde veio isso?". A Cisco nasceu dessa intenção: usar objetos do cotidiano para reconectar pessoas com histórias que o tempo tentou apagar. Quando Genor e Zanza (os fundadores) me procuraram para desenvolver a identidade da Cisco, eles já tinham um nome e um símbolo cheios de significado. Meu papel foi construir um sistema visual à altura.
Um caderno pode ser um objeto banal do dia a dia. Ou pode ser uma tela preenchida com símbolos de ancestralidade, um objeto que promove autoconhecimento e inicia conversas sobre pertencimento étnico toda vez que alguém olha e pergunta "de onde veio isso?". A Cisco nasceu dessa intenção: usar objetos do cotidiano para reconectar pessoas com histórias que o tempo tentou apagar. Quando Genor e Zanza (os fundadores) me procuraram para desenvolver a identidade da Cisco, eles já tinham um nome e um símbolo cheios de significado. Meu papel foi construir um sistema visual à altura.


Um caderno pode ser um objeto banal do dia a dia. Ou pode ser uma tela preenchida com símbolos de ancestralidade, um objeto que promove autoconhecimento e inicia conversas sobre pertencimento étnico toda vez que alguém olha e pergunta "de onde veio isso?". A Cisco nasceu dessa intenção: usar objetos do cotidiano para reconectar pessoas com histórias que o tempo tentou apagar. Quando Genor e Zanza (os fundadores) me procuraram para desenvolver a identidade da Cisco, eles já tinham um nome e um símbolo cheios de significado. Meu papel foi construir um sistema visual à altura.
Cisco vem de ciscar, o gesto da galinha. O símbolo que Genor e Zanza escolheram foi o Akoko Nan, um ícone Adinkra que carrega a frase "a galinha pisa nos pintinhos, mas não os mata". Disciplina com afeto. Os dois se complementam: nome e símbolo diziam a mesma coisa de formas diferentes. Os fundadores também se complementavam. Genor trazia a xilogravura, Zanza trazia a encadernação manual. Juntos, gravaram o símbolo em borracha com as próprias mãos antes mesmo de existir uma identidade visual. Quando Genor me procurou (a gente já tinha trabalhado juntos na atualização da identidade da TropiKaos), o desafio estava claro: transformar esse gesto artesanal em sistema.
A primeira decisão foi manter o Akoko Nan. O símbolo já existia e tinha peso demais pra ser substituído. Mas precisava funcionar como marca. Fiz umas 15 versões até chegar numa que harmonizasse com as letras escolhidas para escrever Cisco. O critério era um só: parecer que símbolo e letras tinham sido construídos juntos, com a mesma lógica de traços. Com o logotipo resolvido, faltava o sistema.
Tudo na Cisco era feito à mão. Qualquer elemento que eu trouxesse precisava continuar essa conversa. Foi quando encontrei o Kente, um tecido tradicional de Gana com padrões geométricos e cores vivas. A conexão era perfeita: mesma origem cultural do Adinkra, mesmo valor do trabalho manual. O Kente definiu a paleta de cores e inspirou os elementos gráficos. Adaptei o entrelaçado característico do tecido pra funcionar como padrão digital, quase como pixels. Era onde a marca ia aparecer primeiro: nas redes sociais.
O resultado foi uma identidade que fala a mesma língua dos cadernos: artesanal na origem, intencional em cada detalhe. O Akoko Nan redesenhado, a paleta extraída do Kente, os padrões em pixel que funcionam tanto num post quanto numa embalagem. Quando apresentei pra Genor e Zanza, o retorno foi sobre isso: as referências visuais estavam enraizadas na mesma cultura que eles queriam celebrar. O sistema não decorava a marca, continuava a história que eles já estavam contando.
Genor é meu amigo antes de ser cliente. Mas esse projeto me mostrou que isso não facilita as coisas, só aumenta a responsabilidade. Obrigado a ele e à Zanza pela confiança de colocar a identidade da Cisco nas minhas mãos.















